Este guia mostra o que é alt text, por que ele pesa em três frentes ao mesmo tempo (busca, acessibilidade e IA), uma fórmula simples para escrever, os casos em que o alt deve ficar vazio e como auditar as imagens de um site inteiro sem depender de programador.
O que é alt text e onde ele aparece?
Alt text é o valor do atributo alt da tag <img> no HTML. No código, fica assim: <img src="grafico-vendas.png" alt="Gráfico de barras com as vendas por trimestre de 2025, o quarto trimestre lidera">. A pessoa que enxerga a imagem normalmente não vê esse texto. Quem usa leitor de tela ouve o alt no lugar da imagem. Quem está com a conexão lenta ou com imagens bloqueadas lê o alt no espaço em branco onde a imagem estaria.
O Google descreve o alt no guia inicial de SEO do Search Central como "um texto curto, mas descritivo, que explica a relação entre a imagem e o seu conteúdo". Essa palavra, relação, é o que separa um alt útil de um alt burocrático: não basta dizer o que está na imagem, é preciso dizer por que ela está ali.
No CMS (o painel onde você edita o site, como WordPress ou Shopify), o campo aparece com nomes diferentes: "texto alternativo" no WordPress, "alt text" no Shopify e no Webflow, "descrição" em alguns construtores. É sempre o mesmo atributo.
Por que o alt text importa para SEO, acessibilidade e IA?
Os três motivos se reforçam, e é por isso que o alt não é detalhe:
- Busca de imagens. A documentação de SEO para imagens do Google Search Central diz, com essas palavras, que o alt é o atributo mais importante para dar metadados a uma imagem, e que o Google "usa o alt text junto com algoritmos de visão computacional e o conteúdo da página para entender o assunto da imagem". Na prática: o Google até reconhece um cachorro na foto sem ajuda, mas só o alt diz que é o cachorro da campanha de adoção de setembro.
- Acessibilidade. O critério 1.1.1 do WCAG 2.2, publicado pelo W3C em dezembro de 2024, exige que "todo conteúdo não textual apresentado ao usuário tenha uma alternativa em texto que sirva ao propósito equivalente". É requisito de nível A, o nível de entrada da norma. Sem alt, um leitor de tela lê o nome do arquivo ou pula a imagem.
- Modelos de IA. Não há declaração pública do Google sobre como o AI Mode trata o alt, mas o raciocínio é simples: assistentes que resumem páginas leem o HTML, e o alt é o texto que acompanha a imagem no HTML. É razoável supor que seja o que esses sistemas usam para descrever o que a página mostra.
O tamanho do problema aparece no WebAIM Million de 2026, levantamento anual da WebAIM sobre 1 milhão de home pages, feito em fevereiro de 2026: 16,2% das imagens não tinham alt, e a falta de alt aparecia em 53,1% das páginas. Entre as imagens que tinham alt, 10,8% traziam um alt inútil, como "image", "graphic" ou o nome do arquivo. Somando, mais de uma em cada quatro imagens das home pages mais populares do mundo tem alt ausente, questionável ou repetitivo.
Fonte: WebAIM, The WebAIM Million 2026, 1.000.000 de home pages, fevereiro de 2026.
Uma coisa que o alt não faz: ranquear a página inteira. John Mueller, analista de busca do Google, disse nas Office Hours do Search Central em março de 2022 que "uma página não ranqueia melhor por ter uma imagem" e que o alt "ajuda a entender melhor a imagem para a busca de imagens". O ganho de SEO é na aba Imagens e no entendimento do contexto, não num salto de posição na busca principal.
Como escrever um alt text bom?
A fórmula que cobre foto de produto, gráfico e captura de tela tem três partes: o que a imagem mostra + o detalhe que importa + a relação com o texto. Nem toda imagem precisa das três, mas pensar nelas evita os dois extremos, o alt vazio de informação e o alt que vira parágrafo.
Exemplos de alt fraco e alt bom para a mesma imagem:
Imagem | Alt fraco | Alt bom |
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Foto de produto |
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Gráfico |
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Captura de tela |
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Foto de equipe |
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Logo linkado |
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Ícone decorativo ao lado de um título |
| (vazio: |
Fonte: exemplos construídos a partir das recomendações de SEO para imagens do Google Search Central (atualizadas em março de 2026) e do tutorial de imagens da W3C WAI.
Regras que saem desses exemplos:
- Comece pelo substantivo, não por "imagem de". O leitor de tela já anuncia que aquilo é uma imagem. "Imagem de tênis azul" faz a pessoa ouvir "imagem, imagem de tênis azul".
- Em gráfico, coloque o dado. O gráfico existe para mostrar um número. Se o alt não traz o número, quem não vê o gráfico perde a informação, e a IA que resume a página também.
- Em imagem que é link, descreva o destino. A documentação do Google diz que o alt de imagem linkada funciona como texto-âncora. "Logo" não diz para onde o clique leva; "Ir para a página inicial" diz.
- Use a palavra-chave só se ela descrever a imagem. Num artigo sobre alt text, a captura de tela do campo alt do WordPress pode ter "alt text" no alt. Uma foto genérica de escritório, não.
- Fique abaixo de 125 caracteres quando puder. Não é limite do Google, é limite prático: leitores de tela antigos cortavam por volta desse tamanho e a leitura em voz fica cansativa acima disso.
- Não repita a legenda visível. A legenda (figcaption) é para todo mundo; o alt é para quem não vê. Se as duas dizem a mesma coisa, quem usa leitor de tela ouve duas vezes.
Uma dica de John Mueller num tópico do Reddit, relatada pelo Search Engine Journal em setembro de 2024: alt genérico gerado automaticamente, como "foto de uma praia", desperdiça o atributo, porque a mesma praia pode ilustrar um pôster, um hotel ou um vazamento químico. O alt é o lugar de dizer qual dos três.
Quando deixar o alt vazio?
Imagem decorativa leva alt="", com aspas vazias. Isso é diferente de não colocar o atributo: o tutorial de imagens decorativas da W3C WAI explica que, sem o atributo, "alguns leitores de tela anunciam o nome do arquivo", o que é pior do que silêncio. Com alt="", o leitor de tela pula a imagem.
O que conta como decorativa, segundo o WCAG 2.2: conteúdo não textual que é "pura decoração, usado só para formatação visual ou não é apresentado ao usuário". Exemplos do dia a dia: o separador ornamental entre seções, a textura de fundo, o ícone de check ao lado de um item de lista que já diz "incluído", a foto de banco de imagens que só enfeita o topo do post.
John Mueller resumiu a regra no podcast Search Off the Record, em outubro de 2022: "se está ali só por estética, é melhor deixar o alt vazio". O teste prático é perguntar: se essa imagem sumisse, o leitor perderia alguma informação? Se a resposta é não, alt vazio.
O erro contrário também existe: marcar como decorativa uma imagem que carrega informação. A foto do produto numa página de venda nunca é decorativa. O gráfico nunca é decorativo. A captura de tela que mostra onde clicar nunca é decorativa.
Quais erros de alt text são frequentes?
Os dados do WebAIM Million e as diretrizes do Google apontam para um conjunto pequeno de erros que se repete:
- Alt ausente. O erro que aparece em 53,1% das home pages do levantamento da WebAIM de 2026. Muitas vezes é o construtor de página ou o tema que não expõe o campo, e a pessoa nunca soube que ele existia.
- Alt igual ao nome do arquivo.
IMG_2043.jpgcomo alt é o CMS preenchendo sozinho. Não descreve nada e o WebAIM classifica como alt "questionável". - Keyword stuffing no alt. A documentação do Google traz um exemplo literal de alt ruim: "puppy dog baby dog pup pups puppies" (filhote cachorro bebê cachorro filhotinho). O aviso é direto: encher o alt de palavras-chave "gera experiência ruim e pode fazer seu site ser visto como spam". Vale o mesmo que em qualquer keyword stuffing.
- Alt igual ao título do produto em todas as fotos. Mueller recomendou em março de 2022 não usar o título do produto como alt. Exemplo do que isso significa: cinco fotos do mesmo tênis, todas com o alt "Tênis Pace 3". Cada foto mostra um ângulo, e o alt devia dizer qual.
- Imagem linkada sem alt. No levantamento da WebAIM, 45% das imagens sem alt eram links. Para quem usa leitor de tela, é um link que diz apenas "link" ou lê a URL inteira.
- Alt em imagem decorativa. "Separador decorativo azul" descrito em voz alta a cada seção cansa e não informa.
Como auditar os alts do site sem dev?
Três caminhos, do mais simples ao mais completo:
1. Extensão de navegador. A extensão WAVE, da própria WebAIM, marca na página cada imagem sem alt, com alt vazio e com alt suspeito. Funciona em qualquer site, sem instalar nada no servidor. Serve para conferir as páginas que mais importam: home, páginas de produto, artigos com mais tráfego.
2. Rastreador do site. O Screaming Frog SEO Spider, na versão gratuita, rastreia até 500 URLs e lista todas as imagens com a coluna "Alt Text" preenchida ou vazia, além de um filtro "Missing Alt Text". Para um site pequeno, é a lista de tarefas pronta. O processo completo está no guia de auditoria de SEO.
3. Relatório do CMS. Plugins de SEO do WordPress, como Yoast e Rank Math, avisam quando um post tem imagem sem alt. Alguns temas de Shopify fazem o mesmo na edição do produto. É o caminho para não deixar imagem nova entrar sem alt, o que vale mais do que auditar depois.
Ordem de correção quando a lista é longa: primeiro as imagens que são links (afetam navegação), depois as fotos de produto e os gráficos (carregam informação), por último as ilustrações de artigo. Imagem decorativa recebe alt="" e sai da lista.
Conclusão
Alt text é a descrição de uma imagem para quem não a vê, e essa lista de quem não vê inclui leitores de tela, o Google Imagens e os modelos de IA que resumem páginas. Um alt bom diz o que a imagem mostra, traz o detalhe que importa e explica a relação com o texto, em uma frase. O próximo passo é rodar a extensão WAVE na página mais visitada do seu site e corrigir as imagens que ela marcar.




