Pular para o conteúdo
iLoveSEOCriar conta

Hreflang: o que é e como configurar a tag para sites em vários idiomas ou países

Hreflang é o atributo que informa ao Google quais versões de uma página existem para cada idioma e país, para que a busca mostre a versão certa a cada pessoa: o português do Brasil para quem busca no Brasil, o de Portugal para quem busca em Portugal. Ele não muda o ranqueamento; muda qual URL aparece.

Ilustração retrô de mãos de telefonista conectando cabos numa mesa telefônica antiga de encaixes

Este guia explica o que é hreflang, quando um site precisa dele, como escrever a tag com os códigos certos, onde colocá-la (HTML, cabeçalho ou sitemap), o que é x-default, os erros que fazem o Google ignorar tudo e como validar.

O que é hreflang?

Um site com a mesma página em português do Brasil e em português de Portugal tem um problema: o conteúdo é quase igual, e o Google precisa decidir qual mostrar para quem busca em Lisboa e qual para quem busca em São Paulo. A tag hreflang é a forma de o site dizer isso explicitamente. No <head> de cada versão, uma linha por versão:

1<link rel="alternate" hreflang="pt-BR" href="https://exemplo.com/br/tenis/">
2<link rel="alternate" hreflang="pt-PT" href="https://exemplo.com/pt/tenis/">

A documentação do Google Search Central sobre versões localizadas, atualizada em abril de 2026, descreve a função: indicar ao Google qual versão da página serve a cada idioma e região. Duas coisas que ela deixa claras e que os guias costumam errar: o Google "não usa hreflang nem o atributo HTML lang para detectar o idioma das páginas" (ele usa o conteúdo visível), e versões traduzidas não são consideradas duplicadas, "a menos que o conteúdo principal da página não seja traduzido".

O que a hreflang não faz: não sobe posição. John Mueller, analista de busca do Google, respondeu no Twitter em março de 2022, à pergunta de se hreflang dá impulso no ranking: "Não. Hreflang não muda o ranqueamento". Ela troca a URL exibida pela versão certa quando o site já ranqueia.

Quando um site precisa de hreflang?

Precisa quando existe mais de uma versão da mesma página para públicos diferentes. Casos concretos:

  • Mesmo idioma, países diferentes. Português do Brasil e de Portugal; espanhol do México e da Espanha; inglês dos EUA e do Reino Unido. É o caso central da hreflang, porque o conteúdo é parecido demais para o Google separar sozinho.
  • Idiomas diferentes. Site em português e em inglês. O Google detecta o idioma pelo conteúdo, mas a hreflang liga as versões e ajuda o Google a mostrar a versão em inglês a quem busca em inglês, mesmo quando a portuguesa tem mais autoridade.
  • Mesmo idioma, moedas ou preços diferentes. Loja em português com preço em reais para o Brasil e em euros para Portugal.

Não precisa quando o site tem um único idioma e um único público, mesmo que receba visitas de outros países. Um blog brasileiro em português não precisa de hreflang para o leitor de Portugal: ele vai ver a mesma página de qualquer forma.

O tamanho do erro em sites que precisam: a Ahrefs analisou 374.756 domínios com hreflang em agosto de 2023 e encontrou 67% com pelo menos um problema. Os mais frequentes: sem x-default (56,3%), sem tag apontando para a própria página (18%), apontando para URL que redireciona ou está quebrada (16,9%), sem tag recíproca (15,3%). Um levantamento de Dan Taylor com a NerdyData, publicado no Search Engine Land em abril de 2023 com 18.786 sites, achou 31% com diretivas conflitantes.

Fonte: Ahrefs, Patrick Stox, "Hreflang study", 374.756 domínios, agosto de 2023; Search Engine Land, Dan Taylor, 18.786 sites, abril de 2023.

Como escrever a tag hreflang?

O valor do atributo tem duas partes: o idioma, obrigatório, no padrão ISO 639-1 (duas letras: pt, en, es), e a região, opcional, no padrão ISO 3166-1 Alpha 2 (duas letras: BR, PT, US). Juntas, separadas por hífen: pt-BR.

Situação

Valor

Significa

Português, qualquer país

pt

Serve a todo falante de português

Português do Brasil

pt-BR

Serve ao Brasil

Português de Portugal

pt-PT

Serve a Portugal

Inglês, qualquer país

en

Serve a todo falante de inglês

Inglês dos EUA

en-US

Serve aos EUA

Espanhol do México

es-MX

Serve ao México

Página de escolha de país

x-default

Serve a quem não bate com nenhuma

Fonte: Google Search Central, "Informar ao Google sobre versões localizadas da sua página", atualizada em abril de 2026.

A regra que a documentação destaca: "não é possível especificar o código do país sozinho". hreflang="BR" não funciona, e hreflang="be" não significa Bélgica, significa bielorrusso, porque o Google lê o primeiro código como idioma. Para a Bélgica, são três valores: de-BE, nl-BE e fr-BE.

Cada página lista todas as versões, inclusive a própria. Numa página em pt-BR com versões em pt-PT e en, o bloco completo é:

1<link rel="alternate" hreflang="pt-BR" href="https://exemplo.com/br/tenis/">
2<link rel="alternate" hreflang="pt-PT" href="https://exemplo.com/pt/tenis/">
3<link rel="alternate" hreflang="en" href="https://exemplo.com/en/sneakers/">
4<link rel="alternate" hreflang="x-default" href="https://exemplo.com/">

E o mesmo bloco, idêntico, vai nas outras três páginas. É isso que a documentação chama de reciprocidade: "se duas páginas não apontarem uma para a outra, as tags serão ignoradas".

Onde colocar a hreflang: HTML, cabeçalho ou sitemap?

A documentação do Google aceita três lugares, e a escolha depende do tamanho do site e do acesso que você tem:

1. No <head> do HTML. O método comum, mostrado acima. Funciona para qualquer site, e é o que plugins e plataformas geram. A desvantagem aparece em sites grandes: cada página carrega uma linha por versão, e mudar uma URL exige atualizar todas as páginas do grupo.

2. No cabeçalho HTTP. Para arquivos sem <head>, como PDF:

1Link: <https://exemplo.com/br/catalogo.pdf>; rel="alternate"; hreflang="pt-BR",
2 <https://exemplo.com/pt/catalogo.pdf>; rel="alternate"; hreflang="pt-PT"

3. No sitemap. Dentro de cada <url> do sitemap, um elemento xhtml:link por versão:

1<url>
2 <loc>https://exemplo.com/br/tenis/</loc>
3 <xhtml:link rel="alternate" hreflang="pt-BR" href="https://exemplo.com/br/tenis/"/>
4 <xhtml:link rel="alternate" hreflang="pt-PT" href="https://exemplo.com/pt/tenis/"/>
5 <xhtml:link rel="alternate" hreflang="en" href="https://exemplo.com/en/sneakers/"/>
6</url>

O sitemap é o método que escala melhor: tudo num arquivo, gerado a partir do banco de dados, sem tocar no HTML de cada página. É a escolha para lojas com milhares de produtos em vários países.

Caminho sem dev. No WordPress, plugins de tradução como WPML, Polylang e TranslatePress geram as tags hreflang automaticamente para cada par de páginas traduzidas. O Shopify gera hreflang para mercados configurados em Markets. Webflow e Wix geram quando o site usa a função nativa de idiomas. Em todos os casos, o passo que falta é conferir, porque os erros de reciprocidade e de x-default costumam vir de configuração incompleta, não da ferramenta.

O que é x-default?

O x-default é o valor reservado para a versão que o Google deve mostrar quando o idioma e a região da pessoa não batem com nenhuma das outras. A documentação define: "usado quando nenhum outro idioma/região corresponde à configuração do navegador do usuário". Foi lançado em abril de 2013, num post do blog do Search Central.

Dois usos comuns:

  • Página de escolha de país. Um site com versões para Brasil, Portugal e Angola aponta o x-default para a página que pergunta "de onde você é?". É o exemplo oficial da documentação.
  • A versão principal. Um site em português e inglês, sem página de escolha, aponta o x-default para a versão que serve de padrão, normalmente a de maior público. Quem busca em francês vai ver essa.

O x-default é opcional na documentação, mas a ausência dele é o erro mais frequente no estudo da Ahrefs de 2023 (56,3% dos domínios). Sem ele, o Google escolhe sozinho o que mostrar para quem está fora dos pares declarados, e a escolha pode ser a versão errada.

Quais erros invalidam a hreflang?

A hreflang é frágil: um erro num par faz o Google ignorar as tags daquele par. Os que os estudos da Ahrefs (2023), do Search Engine Land (2023) e da Semrush (2017, com 20 mil sites multilíngues) encontram com frequência:

  • Falta de reciprocidade. A página brasileira aponta para a portuguesa, mas a portuguesa não aponta de volta. A documentação diz que as tags "serão ignoradas". É o erro que aparece em 15,3% dos domínios da Ahrefs.
  • Falta de autorreferência. Cada página precisa listar a própria URL no grupo. Faltava em 18% dos domínios da Ahrefs.
  • Apontar para URL que redireciona ou não existe. A hreflang precisa apontar para a URL final, a que responde com o código 200 (página encontrada). Em 16,9% dos domínios da Ahrefs, apontava para redirecionamento ou página quebrada.
  • Código errado. pt-br em minúsculas funciona (o Google não diferencia), mas BR, br-pt e portugues não. Valor inválido em 4,6% dos domínios da Ahrefs e 8,9% dos sites do levantamento do Search Engine Land.
  • Conflito com canonical. A hreflang aponta para /pt/tenis/ e a canonical dessa página aponta para /br/tenis/. John Mueller escreveu no próprio site em 2015: "não use rel=canonical entre idiomas ou países", e explicou que, se a canônica não estiver no par hreflang, "a marcação hreflang será ignorada". A documentação atual repete: "especifique uma página canônica no mesmo idioma".
  • Hreflang em página com noindex. A página não vai ser indexada, então o par não existe.
  • Métodos misturados com valores diferentes. HTML dizendo uma coisa e sitemap dizendo outra. Escolha um método por grupo de páginas.

Tradução para o dia a dia: hreflang é uma tabela em que cada linha precisa bater com todas as outras. Quando o site tem três versões, são nove relações para conferir; com dez versões, cem. Por isso o sitemap gerado pelo sistema costuma dar menos erro do que tags editadas à mão.

Como validar a hreflang?

Quatro caminhos, do mais rápido ao mais completo:

  1. Código-fonte. Abra a página, "Ver código-fonte", procure por hreflang. Confira se a própria URL está na lista e se os códigos estão certos. Faça o mesmo nas outras versões e confira a reciprocidade.
  2. Rastreador. O Screaming Frog SEO Spider tem uma aba "Hreflang" com filtros para "Missing Return Links", "Missing Self Reference", "Not Using Canonical" e "Non-200 Hreflang URLs". É a forma de conferir um site inteiro. A versão gratuita rastreia até 500 URLs.
  3. Auditoria de ferramenta. O Site Audit do Semrush e o Site Audit do Ahrefs marcam os mesmos problemas em relatório próprio, com a lista de páginas afetadas.
  4. Search Console. Não existe mais um relatório dedicado a hreflang (o antigo "Segmentação internacional" foi removido). O que dá para fazer é usar a inspeção de URL: se o Google escolheu como canônica uma URL de outro idioma, a hreflang não está sendo respeitada. Mueller lembrou no Bluesky em maio de 2025 que "hreflang não garante indexação" e que variações do mesmo idioma (como fr-FR e fr-BE) costumam ter uma delas escolhida como canônica quando o conteúdo é igual.

O guia de auditoria de SEO coloca essa verificação na sequência com as outras de rastreamento e indexação.

Conclusão

Hreflang é a tag que liga as versões de uma página por idioma e país e diz ao Google qual mostrar a cada pessoa, sem alterar o ranqueamento. Ela exige reciprocidade entre todas as versões, autorreferência, códigos no formato idioma-PAÍS e canonical no mesmo idioma; falhar em qualquer um faz o Google ignorar as tags do par, e 67% dos 374 mil domínios que a Ahrefs analisou tinham pelo menos um erro desses. O próximo passo é rodar a aba Hreflang do Screaming Frog no seu site e corrigir primeiro os "Missing Return Links".

Perguntas frequentes

Hreflang ajuda a ranquear melhor?

Não, e o teste prático para saber se ela está fazendo o que deve é buscar o termo a partir de outro país (com VPN ou com o parâmetro de país da busca) e ver qual versão aparece. Se aparece a versão errada mesmo com as tags no ar, o problema costuma ser reciprocidade ou canonical, não ranqueamento: a página já está lá, só a troca de URL não aconteceu.

Posso usar só o código do país, como hreflang="BR"?

Não. A documentação do Google diz que o código do país sozinho não funciona: o primeiro código é sempre lido como idioma. pt-BR é o formato correto para o português do Brasil. BR sozinho é ignorado, e be sozinho vira bielorrusso, não Bélgica.

Hreflang e canonical podem apontar para páginas diferentes?

Não entre idiomas. A documentação do Google pede uma canônica "no mesmo idioma", e John Mueller explicou em 2015 que canonical apontando para outro idioma faz a hreflang ser ignorada. Cada versão aponta a canonical para si mesma, e a hreflang liga as versões entre si.

Quantas versões uma página pode ter na hreflang?

A documentação não impõe limite, e sites globais chegam a ter várias versões por página. O custo é de manutenção, não de limite técnico: cada versão nova exige atualizar o bloco em todas as outras, o que é o argumento para gerar a hreflang no sitemap a partir do banco de dados.

O Google usa hreflang para saber o idioma da página?

Não, ele lê o conteúdo visível, e isso tem uma consequência para páginas mal traduzidas: uma versão "pt-PT" com metade do texto ainda em inglês é detectada como página em inglês, e a hreflang não corrige isso. O atributo lang continua valendo para leitores de tela e para o tradutor do navegador, que são quem o usa.

Voltar para o blog