Este guia explica o que é link interno, como o Google usa esses links, como estruturar em pilar e satélites, como escolher o texto-âncora, quantos links por página fazem sentido, como achar páginas órfãs e se links de menu e rodapé contam.
O que é link interno?
Link interno é um link cujo destino está no mesmo domínio da página de origem: do artigo sobre canonical para o artigo sobre redirecionamento, da página de categoria para a de produto, do rodapé para a página de contato. O oposto é o link externo, que aponta para outro site, e o backlink, que é o link externo visto do lado de quem recebe.
Existem três tipos na prática: os links de navegação (menu, rodapé, breadcrumb), que se repetem em todas as páginas; os links contextuais, dentro do texto, que ligam assuntos relacionados; e os links de listagem (categoria para produto, arquivo para post), que a plataforma gera. Os três contam. O que muda é o controle: os contextuais são os únicos que dependem de uma decisão editorial a cada página, e por isso são os que este guia trata.
John Mueller, analista de busca do Google, resumiu o peso disso nas Office Hours de março de 2022: link interno é "uma das maiores coisas que você pode fazer num site para guiar o Google e guiar os visitantes até as páginas que você considera importantes".
Como o Google usa os links internos?
Três funções, em ordem de dependência:
- Descoberta. O guia de SEO para iniciantes do Google Search Central afirma que "a grande maioria das novas páginas que o Google encontra todos os dias é através de links". Uma página que nenhuma outra linka depende do sitemap (o arquivo que lista as URLs do site) para ser encontrada. O guia de crawler explica como o rastreador decide o que visitar.
- Hierarquia. A quantidade de links que uma página recebe dentro do site diz ao Google o quanto ela importa para o site. Mueller explicou num hangout de julho de 2021: "se todas as páginas estão linkadas a todas as outras, não conseguimos descobrir qual é a mais importante". A estrutura de links é o mapa de prioridades que o site entrega.
- Contexto. O texto-âncora e o texto ao redor do link descrevem a página de destino, e o Google usa essa descrição tanto em links de fora quanto de dentro do site. O guia do algoritmo do Google explica como os links entram na conta.
A regra da documentação de práticas recomendadas de links do Google é uma frase: "todas as páginas importantes para você precisam ter um link de pelo menos uma outra página do seu site". E o link precisa ser rastreável: um elemento <a> com atributo href. Links feitos com <span> e evento de clique, ou com javascript: no href, "não são recomendados", porque o Google pode não segui-los.
Sobre o efeito no tráfego, um estudo da Zyppy, de Cyrus Shepard, com 23 milhões de links internos de 1.800 sites e cerca de 520 mil URLs, cruzados com os cliques do Search Console. As URLs com 0 a 4 links internos receberam em média 2 cliques; as com 40 a 44 links, quatro vezes mais; acima de 45 a 50 links, o tráfego começou a cair. A variedade de textos-âncora foi a correlação mais forte do estudo. O próprio autor avisa que é correlação, não causa: páginas boas recebem mais links e mais cliques ao mesmo tempo.
Fonte: Zyppy, Cyrus Shepard, "23 Million Internal Links SEO Case Study", 1.800 sites, atualizado em fevereiro de 2026.
Como estruturar links internos em pilar e satélites?
O modelo que funciona para blogs, portais e lojas é o mesmo: uma página ampla sobre o tema (o pilar) e várias páginas específicas (os satélites), ligadas nos dois sentidos. Este blog é um exemplo que dá para inspecionar:
- Pilar: o que é SEO, o artigo amplo sobre o assunto.
- Satélites: os guias de SEO on page, SEO técnico, link building, e, um nível abaixo, os guias específicos de cada tag e técnica, como este.
- Ligação: o pilar linka para cada satélite na seção correspondente; cada satélite linka de volta para o pilar e para os satélites vizinhos.
O que esse desenho faz: concentra autoridade no pilar (que recebe link de todos), distribui autoridade aos satélites (que recebem do pilar e dos vizinhos) e dá ao Google um mapa do que o site cobre. Uma loja faz o mesmo com categoria (pilar) e produtos (satélites), mais os guias de compra ligando os dois.
Como aplicar em três passos:
- Liste as páginas que precisam ranquear. Não são todas. São as que geram receita ou leads: as categorias principais, os serviços, os artigos que respondem as buscas com mais volume.
- Para cada uma, conte quantos links internos ela recebe. O relatório de links do Search Console (seção "Principais páginas vinculadas internamente") ou um rastreador como o Screaming Frog mostram isso. Página importante com dois links internos é uma prioridade.
- Acrescente links das páginas relacionadas que já têm tráfego. Como critério de priorização, um artigo com visitas linkando para a página de serviço traz leitores de verdade, o que dez links em páginas sem acesso não fazem.
O ferramental deste blog faz o passo 2 sozinho: a busca de links internos ordena as páginas candidatas por relevância e depois por quem recebe menos links, justamente para não concentrar tudo nas dez páginas mais linkadas.
Como escolher o texto-âncora de um link interno?
Texto-âncora é a parte clicável. A documentação de práticas recomendadas de links do Google pede que ele seja descritivo, e dá exemplos: bons são "pimentas ghost" e "lista de tipos de queijo"; ruins são "clique aqui", "leia mais" e "site". O texto-âncora deve dizer o que a pessoa vai encontrar.
Quatro regras que saem da documentação e do estudo da Zyppy:
- Descreva o destino, não a ação. "Veja o guia de canonical" é melhor que "veja aqui". Melhor ainda é a âncora dentro da frase: "a tag canonical resolve isso".
- Varie. O achado mais forte da Zyppy foi a variedade de âncoras: páginas com vários textos-âncora diferentes receberam mais tráfego. Dez links com a âncora idêntica parecem automatizados; dez âncoras que descrevem a página de ângulos diferentes parecem naturais e cobrem mais buscas.
- Inclua pelo menos uma âncora com a palavra-chave da página de destino. No estudo, páginas com ao menos uma âncora exata tiveram cinco vezes mais tráfego do que as sem nenhuma. Uma. Não todas.
- Não empilhe palavras-chave. A documentação do Google lembra que keyword stuffing "é uma violação das políticas de spam", e isso vale para âncora. "SEO técnico checklist SEO técnico 2026" como texto de link é o exemplo do que não fazer; o guia de keyword stuffing trata do resto.
Imagem como link usa o alt como texto-âncora, segundo a mesma documentação. Um banner linkado sem alt é um link sem âncora.
Quantos links internos por página?
Não existe número oficial, e o Google já disse isso com todas as letras. Mueller, numa sessão de Office Hours relatada em março de 2022: "não acho que exista um número ideal". O critério que ele deu no lugar do número: ao rastrear a página, o Google precisa "ainda reconhecer que existe uma estrutura". Se cada página linka para todas as outras, a estrutura desaparece.
O que os dados sugerem como faixa: no estudo da Zyppy, o tráfego crescia até 40 a 50 links internos recebidos por página e caía depois. Do lado dos links enviados, um artigo de duas mil palavras costuma comportar entre 8 e 15 links contextuais sem parecer um catálogo, que é a faixa que este blog usa. Uma página de categoria de loja pode ter centenas de links de listagem, e isso é normal, porque a função dela é listar.
O teste prático é o do leitor: cada link acrescenta algo para quem está lendo aquele parágrafo? Se a resposta é sim, o link fica. Se o link está ali porque "precisa de links internos", ele sai.
Como achar páginas órfãs?
Página órfã é a que não recebe nenhum link interno. Ela pode até estar no sitemap e ser indexada, mas para o Google é uma página que o próprio site não considera importante. Três formas de encontrar:
- Search Console. O relatório de links, em "Principais páginas vinculadas internamente", lista as páginas por número de links recebidos. As órfãs não aparecem nessa lista, então a técnica é comparar a lista com o sitemap: o que está no sitemap e não está no relatório é candidato a órfã. A ajuda do Search Console avisa que o relatório "não é uma lista completa" e apresenta uma amostra, então a comparação é indicativa.
- Rastreador com sitemap. No Screaming Frog, em modo de rastreamento com o sitemap carregado, o relatório "Orphan Pages" cruza as URLs do sitemap com as encontradas por links e lista as que só existem no sitemap.
- Google Analytics. Páginas com tráfego (de campanha, de e-mail, de busca) que o rastreador não encontra por link são órfãs com público. São as prioridades: já valem visita e não estão ligadas ao resto do site.
Para cada órfã, a correção é a mesma: um link contextual a partir da página mais relacionada que já recebe tráfego, e, se a página pertence a uma categoria, a inclusão na listagem dessa categoria.
Links de menu e rodapé contam?
Contam. Mueller respondeu isso em janeiro de 2022: "não acho que exista algo quantificavelmente diferente entre links internos em partes diferentes da página". Um link no rodapé é um link.
A diferença está no que eles comunicam. O menu e o rodapé se repetem em todas as páginas, então o Google os vê como a navegação do site, e o texto-âncora deles tende a ser curto ("Blog", "Contato"). Já um link no meio de um parágrafo aparece uma vez, num contexto específico, com um texto que descreve o destino. Os dois servem a funções diferentes:
- Menu e rodapé definem as páginas que o site considera estruturais. É o lugar das categorias, dos serviços, das páginas institucionais.
- Links contextuais ligam assuntos relacionados e carregam o texto-âncora descritivo. É o lugar de conectar um artigo ao outro e um guia à página de serviço.
Um erro frequente em sites de serviço é usar o rodapé como depósito de links para "passar autoridade": cinquenta links de cidades ou de palavras-chave no rodapé de toda página. O Google vê a mesma estrutura repetida em todas as páginas, e a documentação de links lembra que keyword stuffing em texto-âncora viola as políticas de spam. O guia de arquitetura da informação mostra como decidir o que vai no menu.
Conclusão
Link interno é o link entre páginas do mesmo site, e é por ele que o Google descobre, hierarquiza e entende cada página. A estrutura que funciona é a de pilar e satélites, com links nos dois sentidos, textos-âncora variados que descrevem o destino e nenhuma página importante deixada órfã. O próximo passo é abrir o relatório de links do Search Console, listar as páginas que geram receita e conferir quantos links internos cada uma recebe: a que tiver menos é a primeira a ganhar links.




