Este guia explica o que é redirecionamento de URL, a diferença entre os códigos, quando usar redirect e quando usar canonical, como fazer em cada plataforma, o que o Google diz sobre perda de autoridade, os erros que derrubam tráfego e como auditar o que já existe.
O que é redirecionamento de URL?
Quando alguém acessa uma URL que foi redirecionada, o servidor responde com um código de status da família 3xx e um cabeçalho Location com o novo endereço. O navegador segue para lá sem que a pessoa perceba. O rastreador do Google faz o mesmo, mas anota o código, porque ele muda o que o buscador faz com as duas URLs.
A documentação do Google Search Central sobre redirecionamentos, atualizada em abril de 2026, lista os tipos que o Google reconhece. Além dos códigos HTTP, o Google trata como redirecionamento o meta refresh e o refresh HTTP (com tempo zero ou maior), o redirecionamento por JavaScript (location) e o que chama de "crypto redirect", quando a página só tem um link dizendo "o conteúdo mudou para cá". Os HTTP são os que este guia recomenda, porque o servidor responde antes de qualquer página carregar; os outros dependem de o Google renderizar a página para encontrar a instrução.
Os casos em que o redirecionamento é necessário são poucos e sempre os mesmos: o site mudou de domínio, mudou de HTTP para HTTPS, uma URL foi reescrita, uma página foi removida e existe substituta, ou duas páginas foram fundidas. Em todos eles, a URL antiga tem links apontando para ela e posições acumuladas, e o redirecionamento é o que transfere isso para a nova.
Qual a diferença entre 301, 302, 307 e 308?
A tabela abaixo resume como o Google trata cada um, segundo a documentação de redirecionamentos e a de códigos de status HTTP do Search Central:
Código | Significado | O que o Google faz | Quando usar |
|---|---|---|---|
301 | Movido permanentemente | Sinal forte de que o destino é a canônica; mostra o destino nos resultados | URL mudou de vez |
308 | Movido permanentemente (preserva o método HTTP) | Tratado como 301 | Mesmo que 301, em APIs e formulários |
302 | Encontrado (temporário) | Sinal fraco; tende a manter a origem nos resultados | Promoção, teste, manutenção |
307 | Redirecionamento temporário (preserva o método) | Tratado como 302 | Mesmo que 302, em APIs e formulários |
303 | Ver outro | Tratado como temporário | Depois de enviar formulário |
Meta refresh 0 s | Permanente (via HTML) | Aceito, mais lento | Quando não há acesso ao servidor |
Meta refresh > 0 s | Temporário (via HTML) | Aceito, mais lento | Evitar |
Fonte: Google Search Central, "Redirecionamentos e a Pesquisa Google" (abril de 2026) e "Códigos de status HTTP e erros de rede e DNS" (fevereiro de 2026).
A diferença entre 301 e 308 (e entre 302 e 307) não é de SEO, é de protocolo: o 308 e o 307 obrigam o navegador a repetir a mesma requisição no destino, inclusive um envio de formulário; o 301 e o 302 permitem trocar para uma simples leitura de página. Para páginas de conteúdo, tanto faz. Para formulário e API, o 307 e o 308 evitam perder o que foi enviado.
Na prática de SEO, a decisão é binária: a mudança é permanente ou temporária? Permanente, 301. Temporária, 302. Na prática, um 302 que fica no ar por meses deixa de ser temporário aos olhos de qualquer sistema, e a escolha do código deve refletir a intenção real.
Quando usar redirecionamento e quando usar canonical?
Os dois resolvem duplicidade, mas de formas diferentes. O redirecionamento tira a URL antiga do ar para o usuário: quem acessa vai parar na nova. A tag canonical mantém as duas URLs acessíveis e diz ao Google qual indexar.
Situação | Use |
|---|---|
A URL antiga não vai mais existir | 301 |
As duas URLs precisam continuar abrindo (versão com parâmetro, com e sem barra, produto em duas categorias) | canonical |
Migração de domínio ou de HTTP para HTTPS | 301 |
Página fora do ar por alguns dias | 302 |
Conteúdo republicado em outro site | canonical entre domínios |
Página removida sem substituta | 404 ou 410, sem redirecionar |
Fonte: Google Search Central, "Redirecionamentos e a Pesquisa Google" (abril de 2026) e "Como especificar uma canônica com rel=canonical e outros métodos" (2026).
A regra de bolso: se a pessoa nunca mais deveria ver a URL antiga, redirecione. Se a URL antiga continua tendo função, canonical. E se a página simplesmente deixou de existir, deixe o 404; redirecionar tudo para a home é um erro que o Google nomeia, como se vê adiante.
Como fazer redirecionamento de URL na sua plataforma?
O redirecionamento se configura no servidor ou na plataforma, não na página. Os caminhos por ambiente:
WordPress (sem dev). Plugins como Redirection (gratuito), Yoast SEO Premium e Rank Math têm uma tela de redirecionamentos: URL de origem, URL de destino, tipo (301 ou 302). O Rank Math ainda cria o 301 sozinho quando você muda o slug de um post publicado.
Shopify. Em Loja virtual > Navegação > Redirecionamentos de URL, com importação em CSV para migrações grandes. O Shopify só faz 301.
Wix e Webflow. Os dois têm um gerenciador de redirecionamentos nas configurações de SEO do site, com campos de origem e destino e suporte a padrões com curinga.
Next.js e Vercel. No arquivo next.config.js, a função redirects() aceita uma lista de objetos com source, destination e permanent (true gera 308, false gera 307). Na Vercel, o arquivo vercel.json aceita a mesma estrutura.
Apache. No .htaccess, uma linha por redirecionamento:
1Redirect 301 /pagina-antiga https://exemplo.com.br/pagina-nova
Nginx. No bloco server do arquivo de configuração:
1location = /pagina-antiga { return 301 https://exemplo.com.br/pagina-nova; }
Em migração de domínio ou de HTTP para HTTPS, o redirecionamento é feito com uma regra só, por padrão, em vez de uma linha por página. O guia de HTTPS mostra a regra para esse caso.
Depois de configurar, teste com o navegador em aba anônima e com uma ferramenta que mostre o código de status, como a extensão Redirect Path ou o comando curl -I no terminal. O que você quer ver é uma resposta 301 com o Location certo, seguida de um 200 no destino.
Redirecionamento perde autoridade?
Não mais, e essa é a resposta oficial. Em 26 de julho de 2016, Gary Illyes, analista do Google, escreveu no Twitter (hoje X) que "redirecionamentos 30x não perdem mais PageRank". John Mueller confirmou num hangout na mesma época que isso já valia havia algum tempo. A cobertura está no Search Engine Land e no Search Engine Roundtable de julho de 2016.
Duas consequências práticas:
- 302 não "perde" sinal. A diferença entre 301 e 302 é qual URL o Google mostra nos resultados e qual trata como canônica, não quanto de autoridade passa. A documentação chama o 301 de "sinal forte" e o 302 de "sinal fraco" para a escolha da canônica. É uma questão de intenção declarada, não de desconto.
- Cadeia não dilui, mas atrasa. Cada salto é uma requisição extra para o rastreador e para o usuário. O Google diz que segue até 10 saltos, mas a recomendação na documentação de migração de site é redirecionar direto ao destino final e, quando não der, manter a cadeia "idealmente até 3 e menos de 5".
O que ainda pode fazer o tráfego cair depois de um redirecionamento bem feito é o tempo de reprocessamento. Um levantamento de Dan Taylor publicado no Search Engine Journal em janeiro de 2025 analisou 892 migrações de domínio com tráfego estimado pelo Ahrefs: a média foi de 523 dias para o domínio novo igualar o tráfego orgânico do antigo, 17% não haviam recuperado após 1.000 dias, e as recuperações mais rápidas levaram entre 19 e 33 dias. O Google, na documentação de migração, fala em "algumas semanas" para sites pequenos e médios. O estudo não explica a distância entre os dois números; uma hipótese razoável é a qualidade do mapeamento página a página, que separa uma migração planejada de uma feita com pressa.
Fonte: Search Engine Journal, "How Long Should An SEO Migration Take?", 892 migrações, dados de outubro de 2024, publicado em janeiro de 2025.
Quais erros de redirecionamento derrubam tráfego?
- Redirecionar tudo para a home. A documentação de migração do Google avisa que redirecionar muitas URLs antigas para a página inicial "pode ser tratado como soft 404". Soft 404 é a página que responde 200 (ou redireciona) mas o Google entende como "não encontrada". Cada URL antiga deve ir para a página equivalente; sem equivalente, 404.
- Cadeia longa. A → B → C → D. Funciona até o décimo salto, mas atrasa o rastreamento e o carregamento. Ao criar um redirecionamento novo, aponte para o destino final e atualize os antigos que apontavam para o meio da cadeia.
- Loop. A → B → A. O navegador mostra erro de "redirecionamentos demais" e o Google não indexa nada. Um caso típico é a mistura de regra de HTTPS no servidor com regra de barra final no CMS.
- Remover o redirecionamento cedo demais. O Google pede na documentação de migração para manter os redirecionamentos "pelo menos 1 ano". Links externos apontando para a URL antiga não vão ser atualizados por conta própria.
- 302 onde deveria ser 301. O Google tende a manter a URL antiga nos resultados. Num estudo da Semrush de 2016 com 100 mil sites e 450 milhões de páginas, 10% dos sites tinham redirecionamentos temporários.
- Esquecer os links internos. Depois do redirecionamento, o menu, o rodapé e os artigos continuam apontando para a URL antiga, e cada clique passa por um salto desnecessário. O mesmo estudo da Semrush encontrou links internos quebrados em 35% dos sites. Atualizar os links internos é parte da migração.
- Redirecionar a página de erro. O 404 precisa responder 404. Redirecioná-lo para a home esconde do Search Console todas as páginas quebradas do site.
Fonte: Google Search Central, "Mudar de site com alteração de URL" (agosto de 2026); Semrush, "11 Most Common On-Site SEO Mistakes", 100 mil sites, julho de 2016.
Como auditar os redirecionamentos do site?
Um roteiro em quatro passos, que serve tanto para conferir uma migração quanto para limpar um site antigo:
- Rastreie o site. O Screaming Frog SEO Spider, na versão gratuita (até 500 URLs), tem a aba "Response Codes" com o filtro "Redirection (3xx)" e o relatório "Redirect Chains", que lista cadeias e loops com o número de saltos. Para sites maiores, a auditoria do Semrush e do Ahrefs marcam os mesmos problemas.
- Confira o Search Console. No relatório de Indexação de páginas, os status "Página com redirecionamento" e "Erro de redirecionamento" listam as URLs afetadas. O segundo é o que aponta loop e cadeia longa demais. O guia do Search Console mostra onde fica cada relatório.
- Teste as URLs que mais recebiam tráfego. Pegue as 20 ou 50 páginas com mais cliques no Search Console antes da mudança e abra cada uma: o destino é a página equivalente, com um salto só?
- Compare tráfego por página, não só o total. Numa migração, o total pode se manter enquanto páginas específicas perdem tudo por um mapeamento errado. A comparação página a página no Search Console, antes e depois, é o que mostra isso.
O checklist completo de rastreamento e indexação está no guia de auditoria de SEO.
Conclusão
Redirecionamento de URL é a instrução que leva navegador e rastreador de um endereço a outro, e a escolha do código se resume a uma pergunta: a mudança é permanente (301) ou temporária (302)? Nenhum deles perde autoridade, como o Google tornou público em 2016; o que derruba tráfego é redirecionar para a home, empilhar saltos, criar loops e esquecer os links internos. O próximo passo é rodar o relatório "Redirect Chains" do Screaming Frog no seu site e corrigir as cadeias com mais de um salto.




