Este guia mostra o que mudou em relação ao Analytics antigo, os limites da versão gratuita que decidem se a sua medição funciona, como ler taxa de engajamento e rejeição sem se enganar, o que a integração com Search Console não entrega e quais "regras" famosas não estão em documentação nenhuma.
O que é o GA4?
É a ferramenta gratuita do Google para medir o que as pessoas fazem no seu site ou aplicativo. Ela responde de onde vieram, o que fizeram e o que deixaram de fazer.
A diferença de concepção está no que ela considera a unidade de medida. No Analytics antigo, a sessão era o centro: uma visita, com páginas dentro dela. No GA4, o centro é o evento. Abrir uma página é um evento. Rolar até 90% é um evento. Clicar num link que sai do site é um evento. A sessão continua existindo e passou a ser um agrupamento calculado a partir dos eventos.
Isso muda o que é fácil e o que é difícil de responder. Ficou fácil perguntar "quantas pessoas clicaram nesse botão", que antes exigia configuração. Ficou mais chato perguntar "quantas páginas por visita", que antes vinha pronto.
Os dados do seu próprio site têm uma vantagem que nenhuma plataforma paga oferece sobre terceiros: são medidos, não estimados. O guia de Semrush trata dessa diferença do outro lado.
O que mudou em relação ao Analytics antigo?
Três datas encerram o assunto da migração:
- 1º de julho de 2023: o Universal Analytics parou de processar dados novos.
- Semana de 1º de julho de 2024: os dados históricos foram apagados.
- Se você não exportou antes disso, aquele histórico não existe mais.
E três mudanças de conceito que continuam causando confusão:
No Analytics antigo | No GA4 |
|---|---|
Sessão é a unidade | Evento é a unidade |
Taxa de rejeição: visita de uma página só | Rejeição é o oposto da taxa de engajamento |
Metas configuradas na interface | Eventos-chave, marcados a partir de eventos |
A segunda linha é a que mais gera leitura errada, e a seção sobre engajamento explica por quê.
Quais são os limites da versão gratuita?
Esta seção existe porque a maior parte do material em português sobre GA4 não fala disso, e são os limites que decidem se a sua medição vai funcionar.
Limite | Valor na versão gratuita |
|---|---|
Nomes de evento distintos (web) | ilimitado |
Parâmetros por evento | 25 |
Propriedades de usuário | 25 |
Dimensões personalizadas de evento | 50 |
Dimensões personalizadas de usuário | 25 |
Métricas personalizadas | 50 |
Públicos por propriedade | 100 |
Eventos-chave por propriedade | 30 |
Retenção de dados | 2 ou 14 meses |
Fonte: documentação oficial do Google Analytics sobre limites e cotas, consultada em 13/09/2026.
Três armadilhas escondidas nessa tabela:
Dimensão personalizada não se apaga de graça. Depois de excluir uma, é preciso esperar 48 horas para criar outra no lugar. Quem descobre isso no meio de uma implementação perde dois dias.
A amostragem tem um limite alto e existe:

Fonte: documentação oficial do Google Analytics, consultada em 13/09/2026.
Acima de 10 milhões de eventos por consulta, o relatório deixa de contar tudo e passa a estimar a partir de uma parte. A versão paga suporta cem vezes mais. Um site que recebe algumas dezenas de milhares de visitas por mês não chega perto disso. Quem tem volume, porém, cruza essa linha num relatório de período longo sem aviso destacado.
A linha "(other)" é o limite que a documentação não publica. Quando uma dimensão tem valores demais, o GA4 agrupa a cauda numa linha chamada (other), e você perde o detalhe. A documentação chama de alta cardinalidade uma dimensão com mais de 500 valores únicos por dia, e fixa o teto em 50 mil valores. O que ela não publica é a partir de quantas linhas a tabela estoura e a (other) aparece. Qualquer número específico que você encontrar para isso é chute.
O que é taxa de engajamento no GA4?
A definição é literal e vale decorar, porque ela explica resultados que parecem errados. Uma sessão engajada é aquela que cumpre pelo menos uma destas três condições:
- durou mais de 10 segundos; ou
- teve pelo menos um evento-chave; ou
- teve duas ou mais visualizações de página.
E a rejeição, no GA4, é definida como o oposto da taxa de engajamento. Não é mais "visita de uma página só".
Fonte: documentação oficial do Google Analytics sobre sessões e engajamento, consultada em 13/09/2026.
A consequência prática é grande: alguém que abre um artigo, lê por quatro minutos e vai embora sem clicar em nada não é rejeição no GA4, e era no Analytics antigo. Comparar rejeição entre as duas ferramentas é comparar coisas diferentes.
Como a régua é de 10 segundos, a taxa de engajamento de um blog costuma ser alta sem que isso signifique muita coisa. O guia de tempo de permanência trata do que essa métrica alcança e do que ela não alcança.
O que a integração com Search Console entrega?
Ela conecta dados de busca aos dados de comportamento, e vem com limitações documentadas que decepcionam quem espera mais:
- São dois relatórios prontos, e só.
- As métricas do Search Console cruzam com apenas três dimensões: página de destino, dispositivo e país. Nenhuma outra.
- Não há gráfico de série temporal nesses relatórios.
- O histórico é de 16 meses, o mesmo do Search Console.
- Os dados chegam com até 48 horas de atraso.
Fonte: documentação oficial do Google Analytics, consultada em 13/09/2026.
Traduzindo o que isso impede: você não consegue cruzar consulta de busca com evento do site. A pergunta "quem chegou buscando por X converteu mais?" continua sem resposta dentro do GA4. Para o que o Search Console faz sozinho, o guia do Google Search Console cobre o relatório de desempenho, e o de CTR trata da métrica que mais se lê ali.
O que o GA4 faz quando falta consentimento?
Quando o visitante não consente com os cookies, o Google pode modelar o comportamento, estimando o que não foi medido a partir de quem consentiu. Isso tem pré-requisitos numéricos, e eles são altos:
- pelo menos 1.000 eventos por dia com consentimento negado, por 7 dias;
- e pelo menos 1.000 usuários por dia com consentimento, em 7 dos últimos 28 dias.
E mesmo cumprindo os dois, a documentação avisa que isso não garante elegibilidade.
O que isso significa para um site brasileiro de porte médio: a modelagem provavelmente não vai acontecer, e o que não foi consentido simplesmente não aparece. Planejar medição contando com ela é planejar com um número que pode nunca existir.
Uma ressalva de escopo, que vale porque circula muita afirmação categórica: a documentação do Google não trata de LGPD. Ela descreve um recurso técnico. Afirmações como "o modo de consentimento é obrigatório no Brasil" não vêm da documentação do Google, e a obrigação, se houver, vem da lei e da sua base legal, não da ferramenta.
Um detalhe de leitura que economiza discussão: como a régua de engajamento é de 10 segundos, e como a maioria das visitas que "não engajam" some junto com o consentimento negado, o par engajamento e rejeição do GA4 descreve muito mais o comportamento de quem aceitou ser medido do que o do seu público inteiro. É métrica de tendência, para comparar o mesmo site ao longo do tempo, e não número para comparar com o de outra empresa.
Quais regras do GA4 são folclore?
Três afirmações muito repetidas que não estão na documentação:
"O GA4 só aceita 500 eventos diferentes." Não. Para stream web, a quantidade de nomes de evento distintos é ilimitada. O limite de 500 por usuário por dia existe para aplicativo, e virou regra geral na boca do mercado.
"A linha (other) aparece com mais de X linhas." O número específico não existe em documentação pública. O que existe é a orientação de 500 valores únicos por dia como sinal de alta cardinalidade e o teto de 50 mil valores.
"A retenção padrão de uma propriedade nova é de 2 meses." A documentação lista as duas opções, 2 e 14 meses, e não declara qual é o padrão de uma propriedade recém-criada. Confira na sua, porque é uma configuração que, uma vez perdida, não volta.
A regra geral que sai daí: no GA4, o que não está na documentação costuma ser repetição de comportamento do Analytics antigo.
Conclusão
O GA4 mede eventos e deriva sessões deles, e isso explica por que rejeição, metas e relatórios mudaram de forma. Os limites que realmente importam na versão gratuita são a amostragem acima de 10 milhões de eventos por consulta, as 48 horas de espera para recriar uma dimensão personalizada e a linha (other), cujo gatilho exato o Google não publica.
O próximo passo é abrir as configurações da sua propriedade e conferir uma coisa só: a retenção de dados. Se estiver em 2 meses e você quer 14, mude hoje, porque o que passou do prazo não volta.




